Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Um eléctrico cheio de arte

 

Veículo com decoração especial vai andar hoje pela cidade. Viagens são gratuitas.

 

Novas cores embelezaram um dos eléctricos do Porto. Quem quiser viajar de borla no eléctrico "Interferência", decorado por nove artistas locais, pode fazê-lo, esta sexta-feira, entre as 10.30 e as 17 horas. O percurso ainda está por definir.

 

Esmaltes, sprays e marcadores deram cor a um dos históricos eléctricos do Porto. Nove artistas, convidados pela Sociedade Portuense Outras Tendências (SPOT), transformaram o veículo, cedido pela STCP, numa obra de arte, com temas da tradição decorativa portuguesa e do graffitti urbano. "O objectivo é trazer gente à rua e surpreender", diz Joana Lima, organizadora da iniciativa. A SPOT apresenta-se como "a vontade urgente de trabalhar o contexto urbano da cidade do Porto", com interesse em "desenvolver projectos urbanos, públicos e artísticos".

 

Nenhum traço ou desenho surge por acaso. O grupo de artistas reúne-se há mais de um mês para criar um esboço, agora realizado. Nuno Costa, um dos autores, sublinha que "não houve proibições". "Todos os espaços do interior e exterior, até os próprios vidros, puderam ser decorados com liberdade total", sublinhou. No entanto, o grupo procurou inspirar-se na pintura tradicional portuguesa. "Tenho desenhado gaivotas. Ainda agora estou a olhar para uma. Na cidade do Porto não faltam gaivotas... São a minha inspiração", acrescenta.

 

Artista de graffitti "há muitos anos", Miguel Januário foi buscar a inspiração "ao dia-a-dia, a bonequitos, personagens" que desenvolve há algum tempo. Acredita que "este tipo de intervenção aproxima as pessoas do graffitti, que se torna mais familiar".

 

Muitos dos que participaram na iniciativa estão habituados a transformar espaços da cidade em obras de arte. Nuno define-se como artista de rua, embora a sua profissão esteja ligada à Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho.

 

"Podíamos aproveitar as fachadas dos prédios devolutos, até para chamar a atenção dessa situação. Deviam dar espaço à criatividade", diz Miguel Januário. Franklin Seabra, morador do Porto, observou a produção do novo eléctrico e confessa que gostava de "ver mais coisas destas na cidade". Nuno Costa acha que se a Câmara Municipal autorizasse a intervenção em vários espaços degradados, "podia-se fazer mais intervenções artísticas, tornando as ruas mais culturais".

 

Emigrante em França há 20 anos, André José veio de férias e, como apaixonado pela pintura e pela fotografia, não deixou escapar os movimentos dos pintores: "Acho interessante. É uma grande produção. Faz parte da revolução artística, da arte da rua, tal como se vê no mundo inteiro"

 

in Jornal de Notícias

Pedro Gomes às 11:04
|