Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Eléctricos vão regressar a Mouzinho da Silveira em 2012

Eléctricos vão regressar a Mouzinho da Silveira

Os eléctricos voltarão a subir a Rua de Mouzinho da Silveira, no Porto, dentro de três anos. A linha mudará o perfil de uma das artérias congestionadas da cidade. Hoje, os autocarros que circulam naquela rua têm quatro mil passageiros por dia.

A Câmara do Porto está a avaliar estudo de mobilidade, elaborado pela TREMNO a pedido da sociedade Porto Vivo. A análise aponta para diferentes soluções de implantação da linha. Caberá ao Município escolher aquela que melhor case o transporte público com o privado, sem a perda de estacionamento. A decisão será tomada em breve e permitirá elaborar o projecto final.

A linha, orçada em 2,19 milhões de euros a construir pela Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), aproximará a Praça do Infante da estação de S. Bento. A partir de Junho de 2012, dará continuidade à linha 1 (Passeio Alegre-Infante), ligando à Rua de 31 de Janeiro e à circular (linha 22) do eléctrico histórico que parte da Batalha rumo ao Carmo.

O traçado definitivo aguarda o aval camarário, explica fonte da STCP, estimando que a procura da linha 1 "venha a ser significativamente reforçada" com a extensão do percurso aos Lóios e a S. Bento. Hoje, a procura dos autocarros da STCP que circulam em Mouzinho da Silveira ascende a quatro mil utentes por dia.

"Está tudo acordado com a STCP. O anteprojecto, acompanhado do estudo de mobilidade, está a ser analisado pela Câmara. Será uma mais valia importante em termos turísticos e vai ligar a Ribeira à cota alta da cidade", esclarece Arlindo Cunha, presidente da Porto Vivo. No entanto, reconhece que a passagem dos eléctricos comporta uma adversidade, pois terá implicações no planeamento da mobilidade numa zona consolidada, onde não é possível abrir novos arruamentos, pelo menos à superfície.

A solução poderá passar pela criação de ligações viárias subterrâneas, à semelhança do que sucede em Bruxelas. "Mouzinho da Silveira é uma rua de ligação essencial entre a Ribeira e a Batalha. É uma das piores vias em afluência de trânsito nas horas de ponta", continua. Serve de atravessamento para o tráfego de Gondomar e de Gaia que se dirige à Baixa. Ao final da tarde, o circuito inverte-se, mas mantêm-se as longas filas. A "cidade subterrânea" pode colmatar a dificuldade.

Aproveitando-se a construção do parque de estacionamento no subsolo do Largo de S. Domingos, surge, segundo Arlindo Cunha, a possibilidade de um dos pisos funcionar como túnel para a circulação de viaturas até ao Largo dos Lóios (com ligação ao futuro parque do quarteirão das Cardosas já em execução). Tudo dependerá de estudos geológicos.

Até Junho de 2012, rasgar-se-á o aparcamento subterrâneo no Largo de S. Domingos com capacidade para 400 viaturas. Posteriormente, esse parque em túnel deverá crescer até ao "topo Sul da Rua das Taipas", passando a albergar cerca de 2300 veículos. A primeira fase desta obra, a desenvolver em parceria público-privada, conta com uma comparticipação de 3,5 milhões de euros dos fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). O orçamento total ultrapassa os 15,9 milhões.

Arlindo Cunha realça que, obtido o aval da Câmara e concluído o projecto, será aberto o concurso público para seleccionar um promotor que construa e explore o parque. Todo o programa de acção de Mouzinho/Flores, cuja implementação custará 31,6 milhões, possui financiamento europeu de 6,97 milhões.

www.jn.sapo.pt

Pedro Gomes às 11:01
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